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Política

Aterramento da Lagoa de Carapicuíba: Polêmico Desassoreamento do Tietê

Carapicuíba é uma cidade dormitório que ganhou o status de município da região metropolitana de São Paulo no ano de 1965, depois de sua emancipação. Com uma economia pouco desenvolvida e sérios problemas de infra-estrutura, ela sofre com a baixa arrecadação de impostos e a precariedade de serviços como Educação, Saúde e Habitação.

Se não bastassem todas essas questões, uma polêmica envolvendo a Lagoa de Carapicuíba promete tirar o sono de muitos moradores. A Lagoa é na verdade de um antigo leito do rio Tietê que foi desviado, virou cava de mineração e hoje está seriamente comprometido pela poluição proveniente do lixão desativado que fica ao lado e do esgoto que ali é lançado. Com o início das obras de desassoreamento do Tietê foi decidido que 20 milhões de metros cúbicos de detritos provenientes do rio seriam despejados na Lagoa num prazo de 10 anos.

Para o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), depositar a lama do Tietê na Lagoa de Carapicuíba significa economia e solução. Isso porque além da terra suja deixar de ser levada para um aterro privado em Itaquaquecetuba, o que custava R$ 68 por metro cúbico, ela será usada no aterramento da Lagoa que depois será beneficiada com um parque estadual destinado aos moradores de Carapicuíba e Barueri.

A proposta seria de fato interessante, se não fosse o resultado da análise dos resíduos retirados do Tietê que acusou a presença de ferro, manganês, zinco e um tipo de sulfato bem acima dos níveis máximos permitidos. Embora o DAEE garanta que o lodo despejado não esteja contaminado, moradores afirmam ter encontrado peixes mortos na Lagoa após o início do aterramento.

O presidente da CAST José Fernando Bruno garante que não haverá prejuízo para a cidade. “A lagoa não era nenhum santuário ecológico.” – disse em entrevista ao portal Extra. “A água está tão contaminada quanto à do próprio Tietê e o aterro tem de ser feito, não há outra forma”. Não é o que pensam os ambientalistas que temem pela contaminação do solo, como já ocorreu no ano de 2000, que pode ser muito prejudicial ao meio ambiente e à saúde dos moradores.

Partindo para uma perspectiva social nos deparamos com outra polêmica. Às margens da Lagoa foi construída uma favela onde vivem mais de mil pessoas em situação irregular. Até o final de 2012, parte dessas famílias serão retiradas, mas a remoção total se estenderá até 2014, sendo que a Prefeitura Municipal se comprometeu a encaminhá-las a unidades construídas pela CDHU. O cadastramento já foi feito, mas ao que parece ele não teria sido encaminhado a nenhum órgão público, o que preocupa os muitos moradores que ainda sofrem com a falta de informações.

Projeto de Parque Público no lugar da Lagoa de Carapicuíba

Diante de tantas contradições, nós moradores de Carapicuíba nos vemos divididos entre os benefícios e prejuízos que o aterramento tem trazido a nossa cidade. Se por um lado, a construção de um parque na área em que antes só tinha espaço um rio poluído e o encaminhamento de pessoas que antes moravam na favela a construções da CDHU, nos fazem crer em melhorias, por outro, o risco de contaminação e a sensação de ter seu município servindo de depósito de resíduos são no mínimo incômodas.

Não temos a real dimensão dos impactos que esse despejo pode causar ao meio ambiente e as nossas vidas, mas sabemos que omitir nossa opinião e apenas aceitar o que é decidido não é a saída. Se o aterramento se mostrou necessário e provou trazer benefícios a região, que seja feito dentro de todas as normas de preservação do ambiente e que a população tenha acesso às informações e possa cobrar tanto pelas promessas quanto por uma mudança de posicionamento quando esta se mostrar necessária.

Assuntos do Artigo:
  • lagoa de carapicuíba

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1 Comentário

  1. Jane Darckê disse:

    Meu pai e meus tios tiraram muita areia dessa lagoa. Se tiver gente com uns 80 anos de idade, e que seja do ramo de areia e pedra, pergunte pela família De Petta, que moravam no bairro do Limão. Somos nós!!

     

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